sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Me dê notícias do mundo de lá, diz quem fica...






Hoje acordei com um quê de nostalgia... Ou de rebeldia... Ou de saudade, de medo, de tudo misturado...

Quando decidi morar longe por 6 meses nunca poderia imaginar que os meses virariam anos (neste mês faz 1 ano e 9 meses). Todo mundo sabe que estou plenamente feliz com a minha escolha e que nem o mau (mais precisamente a bosta do) tempo irlandês me desagrada. Aliás, aqui chove dia sim e outro também e a cidade funciona, o transporte continua nas ruas, as casas não desabam e isso me faz feliz. Talvez eu tenha achado um universo paralelo onde as enchentes e os deslizamentos não ocorrem todo dia debaixo do meu nariz, sem que eu nada possa fazer. Bom, mas esse é assunto pra outro post, sem dúvida.

O que de fato tem mexido comigo é o preço - alto - que se paga por estar longe dos seus. De ver a sobrinha crescer pelo skype, de não mais pedir uma xícara de açúcar pro vizinho e engatar um papo ali mesmo na porta e passar horas conversando com a bendita xícara na mão, de ter que ficar zapeando enlouquecidamente com o controle da tv até finalmente achar uma transmissão olímpica que esteja mostrando o MEU país. E os amigos. 

Antes você tinha sua turma, seu gueto, suas referências, as festinhas, as reuniões, um choppinho ao acaso em qualquer boteco pra falar da vida e relaxar depois de um dia estressante. E aí que morar longe é ter um dia estressante e ir pro Facebook conversar com a mãe pelo chat (como faziam(os) na época das cartas????). Ou ir pra cama e dormir, sem conversa, sem choppinho. Aquelas pequenas coisas que seus amigos te ligavam ou compartilhavam antes já não fazem mais. De fato quem não é visto não é lembrado. Ah, sim, tem uns que nem parecem que estão longe de tanto que nos sabemos, mas a massa, a maioria, o fuzuê vai se tornando distante. O mundo gira - e muito bem - sem você. 

Reorganizar o coração pra viver sem isso não é tarefa fácil. Ver seus amigos com seus novos amigos e não poder compartilhar das alegrias (e desventuras) e sentir que algo que você fazia parte ficou só no passado, na lembrança tem um gostinho azedo, viu... Bem azedo. Acho que tem gosto de chá de boldo! Aaaaaaargh!

Viver longe é aprender a conviver com isso, com a saudade que aperta, com os momentos importantes (ou não) que você não pode participar e que você não tem mais o formato da peça que fazia parte daquele quebra-cabeças. Você é outra peça. Seu quebra-cabeças é outro. Mas aquele ali, o de estimação, tá guardadinho no armário do coração, você só não pode mais montá-lo. E como é que se vive sem os seus grandes amigos? Um dia eu te conto, ainda tô descobrindo. 

E antes que eu alongue ainda mais essa prosa, vou ali esquentar a barriga no fogão e começar a preparar panquecas pras entregas do dia, tomar minha xícara de café e parar de pensar. Porque ó, não me deram arma com mais poder de "destruição" do que esse troço chamado pensamento. Mas hoje é sexta e eu espero que seja das boas! 


4 comentários:

Nivea Sorensen disse...

Li. Reli. Fiquei pensando se eu já me senti assim, mas não lembro. Tenho tão pouca saudade da vida que eu tinha no Brasil que nem contato com os amigos de lá consegui manter. Parece que foi em outra vida. Será que é o tempo que tudo cura?
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Fátima disse...

Você está longe, mas nunca será esquecida. Nós temos esse jeito brasileiro, faceiro, noveleiro e romantico de ser, um jeito que em nenhum lugar do mundo se encontra. E mesmo sermos tão parecidos somos únicos, cada suas opiniões, suas manias e nosso povo tem as manias mais gostosas. Viver longe não é facil, mas estar fazendo algo que gosta não tem preço. Estou orgulhosa de vc e sempre soube que seria uma desbravadora !!! Parabéns por vencer na vida e fazer algo que te dê orgulho, poucas pessoas tem essa coragem de não se submeter a fazer o que não gosta por comodismo.

Fátima disse...

Detalhe , aki é a Erika que postou atraves do blog que fez para mãe a qual não usa. heheheehhe bjosss

Rhani disse...

Lindo o texto! Me sinto assim também, acho que NUNCA deixarei de ter saudades do meu povo...achei que ia passar, mas não! Posso dizer que sou uma pessoa cheia de saudade...nunca precisei conviver com isso antes, mas agora isso faz parte da minha vida diária. Mas o bom é que a gente vive e sobrevive! E é tão bom reencotrar pessoas e abraçar apertado, com todo amor e siceridade do mundo!Impagável!!! Boa sorte, gata, vc tá arrasando!!!